SEGURANÇA

Há 30 anos havia furtos e crimes contra o patrimônio, mas a criminalidade violenta, que envolve ameaça à integridade física, muitas vezes levando à morte, es­­tavam mais ou menos contidas. “O que se vê nos últimos 30 anos não é só o crescimento dos crimes, mas o crescimento acelerado da vio­­lência mais agressiva. Cresceram os homicídios, a extorsão mediante sequestro, o latrocínio.”



Na avaliação de Adorno, cresceram também, sobretudo a partir do final do regime militar, as graves violações dos direitos humanos: linchamentos e execuções praticadas por grupos de extermínio. Cresceram ainda as intervenções violentas da polícia nas prisões e nas instituições encarregadas de atender jovens e adolescentes.


GAZETA DO POVO


A conclusão parte da constatação de que a criminalidade não é igual à da década de 50. Para o coordenador do Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o sociólogo Michel Misse, não se pode subestimar o papel tecnológico das armas. Numa briga nos anos 50, o máximo a que se tinha acesso era um revólver. O sujeito dispunha mais da capacidade física para entrar em conflito, ou, quando muito, uma arma branca, cujo poder letal é menor do que o revólver. Com o tempo, as armas de fogo mudaram essa lógica.


PAZ SEM VOZ É MEDO

Parentes da juíza Patrícia Acioli reagiram com revolta à execução da magistrada e classificaram de negligente a suspensão de sua escolta particular. Ao mesmo tempo, autoridades que participaram do sepultamento, no cemitério de Maruí, em Niterói, circulavam protegidas por seguranças. "Se isso aconteceu, é porque, em algum momento, o Estado falhou", disse um parente no enterro da juíza, e que pediu para não ser identificado. "Ela morreu porque acreditava na Justiça, mas o sistema falhou. A bandidagem perdeu o medo do Estado."


Via GP