Amsterdã: planejar é a regra, fluidez é a sensação
“A divisão do espaço público em camadas com funções diferentes poderia ajudar cidades com trânsito complicado, como São Paulo”, diz Kuik. No caso da capital paulista, como na maioria das cidades brasileiras, há uma rede de vias sobre o asfalto que, em sua maioria, servem apenas aos carros. “Se essas vias fossem repartidas com outros modais, a cidade ganharia muito”, diz o planejador holandês. "A pior coisa que se pode fazer por uma cidade é deixar os carros circularem livremente, porque eles ocupam espaço cada vez maior", sentencia.
A outra lição de Amsterdã é pensar em conjunto as melhorias da estrutura urbana com o bom funcionamento da economia. “Manter os canais de Amsterdã sempre foi e continua sendo importante para a cidade”, explica o professor de planejamento urbano especializado em gestão de água, Ewald Engelen. Os canais eram economicamente importantes para permitir a entrada de barcos que abasteciam a cidade. Hoje, são um grande chamariz para o turismo. “A saída para recuperar os rios brasileiros pode estar aí, na sua valorização econômica do processo”, diz Engelen. No nosso caso, se os rios pudessem ser usados como via de transporte de cargas, por exemplo, seria economicamente vantajoso recuperá-los.
O ECO